terça-feira, 15 de Março de 2011

O que esconde um carrinho de bébe

Hoje telefonei a uma amiga que fez anos ontem ( atrasada, pois) para tomarmos um café enquanto fazia as compras no Pingo Doce. Estou com o telemóvel na mão e vou a uma caixa multibanco, tiro o cartão da carteira, coloco na caixa... Estas máquinas demoram um tempão para nos darem o que pretendemos.....

Está uma senhora atrás de mim com um bebé no carrinho a chorar, e eu com o telemóvel numa mão, o cartão na outra e a mala no ante-braço, desvio-me para a senhora se despachar e poder dar atenção ao bebé, e vou arrumando o cartão na carteira.
Qual carteira? Onde está a carteira?

- " Desculpe, a minha carteira estava ai?"
- " Aqui não está nada."
- " Desculpe mas eu tenho o cartão na mão e tirei-o da carteira, se ela não está aqui tinha que estar ai."
- " Aqui não está nada. Veja se está na mala."
- " Se tivesse na mala eu não lhe estava a perguntar se estava ai." - o bebé a berrar, e a querida a abanar o carrinho.
- " Aqui não estava. Não me está a acusar de lhe ter roubado a carteira?!"
- " Se só aqui estou eu e a senhora, e se a carteira não está comigo, quem é que foi??"

Já estava a perder a compostura, a paciência e o bebé não se calava. Olhei para os olhos dela e disse-lhe:

- " Oiça, a carteira não tem nem 1€, eu tenho o cartão multibanco na mão, a única coisa que ai está são documentos que me fazem falta."

Ela começou a berrar ainda mais que a criança, as pessoas entravam e saiam do supermercado e eu virei as costas.
Fui andando e a pensar: "não, eu tenho a certeza que foi ela, vou voltar para trás dou-lhe dois estalos nos olhos e desvio as mantas do bebé... e depois de tirar de lá a carteira desfaço-lhe o resto dos dentes (ela tinha muito poucos)"

Mas ainda sou uma senhora e não quis perder a razão. O meu marido como segurança, faz-me sempre conhecer certas normas e pessoas com o aspecto daquela senhora ele conhece-as à distância. O problema é que ali não havia cameras e não era dentro do supermercado, o segurança não me podia ajudar. Se chamasse a polícia, a querida não era obrigada a esperar e o bebé... estava-me a partir o coração.

Cheguei a casa, contei ao meu marido. Claro disse-me logo que fazia e acontecia e que não saia dali sem a carteira nem que tivesse que virar o carrinho ao contrário.
Fiquei furiosa! E zangadíssima comigo mesma, por não ter armado uma peixarada e saído vitoriosa, afinal eu sabia que tinha sido ela.
Pobre da criança! E desgraçada da mulher que tem a glória de trazer uma criança ao mundo e servir-se dela para estes fins.
É mesmo triste.

Ao fim do dia, recebo um telefonema da D.Ju, a dizer-me que lhe tinham ligado a dizer que encontraram uma carteira como o meu nome e que o único número de contacto era o dela (tinha lá o cartão com o numero de telefone do consultório de psicologia).
Fiquei mesmo contente!
A mulher lá deve ter pensado "esta desgraçada ainda é mais tesa que eu, ainda por cima está a ser seguida por uma psicóloga... vou mas é entregar isto!"

Telefonei para a senhora que entrou em contacto com a D.Ju, em conversa perguntou-me se tinha perdido ou se tinha sido assaltada. Contei-lhe a situação e a senhora confirmou que quem lhe entregou a carteira foi a querida com o carrinho de bebé.
Passou por um café, ainda a uns quílometros do Pingo Doce, gritou lá para dentro a dizer que estava ali uma carteira no chão e que era melhor guardar não fosse alguém perguntar por ela. Graças a Deus a senhora do café, fez mais que isso e eu pude recuperar as fotos da minha filha e o desenho dela que guardo desde os dois anos ( fez-o quando estávamos à espera para uma consulta), alem do C. Cidadão, claro!


Thank God ainda há pessoas felizes!

22 comentários:

  1. Que episódio, Lúcia! E eu que tenho o hábito de pousar a carteira ao lado, um gesto tao banal, acho que nao nos passa pela cabeca o que pode acontecer num abrir e fechar de olhos.
    Pelo menos a história acabou bem!
    Um bj

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  2. Nossa!!

    Vivemos em um mundo muito complicado, é cada vez mais difícil ser-se gentil e confiar nas pessoas.

    Ainda bem que recuperaste a carteira!

    Beijinhos.

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  3. Realmente, antigamente, quem levava uma criança consigo era um sinal tranquilizador, pessoa de confiança. Hoje em dia se vê, que cada vez mais essas pessoas, para se passarem por gente séria cada vez se aproveitam mais da presença de uma criança para fins pouco éticos! Vale tudo nesta selva!
    Beijinho

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  4. Lúcia, saíste vitoriosa! As más acções ficam com quem as pretica!
    Temos que acreditar sempre que ainda há pessoas com bom coração!
    O que foi pena, foi o stress a que foste sujeita!
    Grande beijoca.

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  5. É pá há pessoas... bolas!
    O que vale é que tu contas isso de uma forma tão bem disposta que até dá para rir ;)
    bjocas

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  6. Anda tudo maluco, até se servem dos bebés para roubarem carteiras. Depois as crianças crescem nisto e vão para a escola roubar outros miúdos. Enfim...

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  7. Bom dia Lúcia!:)

    Bem, o que posso dizer? - Mas que cena!!!

    Eu no teu lugar acho que não saía de lá sem ter a carteira, felizmente nunca me aconteceu isso mas acho que fazia semelhante espectáculo (ainda pior que o dela e do bebé) que a gaija só para não me ouvir mais entregava-me a carteira. Sou uma pessoa calma e educada mas se me lixam oh caraças...

    Ainda bem que ela devolveu a carteira senão ias ter uma trabalheira para conseguir reaver os documentos.

    Boa semana!

    Beijinhos da Formiguinha

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  8. Bem, que situação.
    Fizeste bem em não perder a compostura, mas imagino como ficaste.
    O que interessa é que tudo está bem.
    Bjs

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  9. Obrigada Bricolar, o meu marido ainda se fartou de rir comigo, mas eu estava tão nervosa que só me apetecia gritar!

    Pois é Paula, cuidado onde deixas a carteira e não feches mesmo os olhos seja a quem for.

    Sissa, tens toda a razão... foi exactamente esse o meu pensamento.

    Formiguinha tu é que fazias bem! Eu fui uma parva. Mas o bebé a chorar e ela ali... olha com os nervos fui-me embora, sempre na esperança que ela a deixasse em qualquer lugar.
    Felizmente deixou!

    Por isso deixo o aviso, não deixem mesmo a carteira nem que seja para ajudar um velhinho... nunca se sabe.

    Isto aconteceu-me em Lisboa, ao que parece já moro numa aldeia à demasiado tempo, e comecei a acreditar nas pessoas. Aqui toda a gente nos diz "Bom dia", quer nos conheçam, quer não. Toda a gente pára nos semáfros, mesmo de bicicleta ou cadeirinha de rodas. E depois dizem que na cidade é que é a civilização.....

    Beijinhos a todas

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  10. Como é possível utilizar um bebe para estes fins, em que mundo vivemos???

    Tantos são aqueles que esperam pela dádiva da maternidade e que nunca a alcançam e depois há gentalha desta, gentalha que utiliza os próprios filhos para situações lamentáveis...

    Bjs,
    MJ

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  11. DANIELA

    Imagino o teu estado de nervos, ainda bem que o mal não triunfou, e que a ladra não se ficou a rir, já que não tinha nada para levar.

    No final, tiveste sorte, recuperaste a carteira e não tiveste de gastar dinheiro com o CC.

    Beijinhos

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  12. Bem, parece saído de filme!!! mas eu também tinha feito como o teu marido passava-me logo. Nem que chamasse a policia e se ela não quisesse esperar ia atras dela a segui-la até ao fim do mundo!
    Quando estivesse resolvido o assunto e tivesse a casteira... partia-lhe os dentes todos, só para aliviar a tensão!! ;)

    Ainda bem que se resolveu tudo! ;)

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  13. Ainda bem que teve um final feliz, mas que é uma chatice lá isso é!É triste termos que desconfiar de todos!
    Lúcia, estava lendo sua outra postagem e lembrei que uma amiga me falou que teve que pagar para por fotos no blog porque já tinha ultrapassado a cota permitida. Qualquer dia o meu também vai pedir pagamento, pois estou sempre a colocar fotos grandes.
    Bj
    Helia
    http://www.noticiasdecascais.blogspot.com/

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  14. Bem que situação Lúcia...Fiquei estupefacta!Sinceramente eu também não tinha sido capaz de fazer mais do que aquilo que fizeste.
    Ainda bem que depois acabou bem, ela lá percebeu que não valia a pena...
    **

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  15. Olha a «baca» hein?!

    Se me acontecesse a mim, provavelmente faria o mesmo que tu. Só se estivesse num dia muuuuito negro haha!

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  16. Olá Lúcia
    Obrigada pela tua visita ao meu blog.
    Os lápis que eu fiz foram uma tentativa de fazer lápis com cera de abelha, mas não fui muito bem sucedida. ;-) ( http://ahortaencantada.blogspot.com/2010/12/lapis-de-cera-de-abelhas-1-experiencia.html )
    Já tinha feito essa tua experiência mas no blog que tinha anteriormente.


    Ainda bem que a tua carteira apareceu, aconteceu-me algo semelhante há uns anos no autocarro, mas a carteira nunca aparceu :-(
    beijinhos

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  17. XIII que confusão, vamos lá nós confiar naquele que está ao nosso lado..não podemos mesmo, mas muitas vezes tambem não o podemos provar... enfim..

    Beijos

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  18. Ainda bem que recuperaste a carteira, senão era só dizeres que eu mandava o Goldie dar-lhe uma ferradela (o mais certo era ficar amigo dela...rsrsrsrs...é que este cão é um mole...)

    Ai quando me acontecem situações do género até fico com suores frios e quentes e mornos e mais tudo...

    bjocas e nunca te esqueças que o bem é sempre superior ao mal...

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  19. Olá Lúcia.

    Antes demais ainda bem que reaveste a carteira, normalmente ou a deitam o lixo ou nalgum canto.

    Eu sou "alfaciha de gema", mas "mudei de ares" à quase 3 anos... :) e devo dizer...o trato das pessoas, mesmo desconhecidas nada tem a ver com o da cidade.
    Ora vê: no dia da mudança o meu maridão e um amigo ficaram fechados por fora, ficando tlm, chaves de casa e carro lá dentro. então o que ele faz? toca à campainha do nosso vizinho e apresenta-se...pedindo para entrar e saltar o muro deles da parte da churrasqueira que dá para a nossa! E não é os nossos vizinhos deixaram? Sem o conhecerem de lado nenhum! isto se fosse em Lisboa era logo para assaltar a casa!

    Existem pessas boas e pessoas más em todo o lado, nós agora é que temos de ter mais atenção ao que nos rodeia...A civilização, como lhe chamas, cada vez mais está mais nómada.

    Por isso, é que eu adoro a minha "província"! ;)

    Jinhos
    Ana Rita

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